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José Bonifácio,24/02/2026

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Cerca de 30 mil crianças nascem por ano com malformação no coração


Cerca de 30 mil crianças nascem por ano com malformação no coração

Especialistas da FACERES reforçam que diagnóstico precoce, pré-natal e testes de triagem são fundamentais para salvar vidas e reduzir complicações


As cardiopatias congênitas estão entre os principais desafios da saúde infantil no Brasil. Apesar dos avanços médicos, milhares de famílias enfrentam, todos os anos, a realidade de um diagnóstico que exige atenção imediata e acompanhamento constante. 


Especialistas reforçam que a informação e o diagnóstico precoce são aliados fundamentais para salvar vidas. A cada ano, cerca de 30 mil crianças nascem no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita, de acordo com o Ministério da Saúde, e aproximadamente 40% delas precisam passar por cirurgia ainda no primeiro ano de vida.   A condição, considerada uma das principais causas de mortalidade infantil, pode levar até 6% dos bebês a óbito antes de completar o primeiro ano de vida.


Segundo a pediatra e cardiologista Dra. Marília Maroneze Brun, professora da Faculdade de Medicina FACERES, a cardiopatia congênita é uma malformação no coração presente desde o nascimento. “Ela pode variar de defeitos simples, que não necessitam de tratamento imediato, até casos graves que exigem cirurgia precoce. O impacto é grande porque, além da alta incidência, pode comprometer seriamente o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança”, explica.




O diagnóstico pode ser feito ainda durante a gestação, por meio do ecocardiograma fetal, que pode ser realizado a partir de 24 semanas, preferencialmente entre a 24ª e a 28ª semana. 


Após o nascimento, o chamado “teste do coraçãozinho”, realizado com oximetria de pulso, é um exame simples e acessível capaz de indicar alterações que sugerem problemas cardíacos. “Quanto mais cedo identificamos a cardiopatia, maiores são as chances de sucesso no tratamento”, reforça a especialista.


O ginecologista e obstetra Dr. Gabriel Dumbra, professor da Faculdade de Medicina FACERES, destaca a importância do pré-natal. “Durante o acompanhamento gestacional, o ultrassom é essencial para avaliar o desenvolvimento do feto. Em alguns casos, a cardiopatia pode ser identificada já no ultrassom morfológico, mas o exame de maior precisão é o ecocardiograma fetal, fundamental para essa investigação. Além disso, mulheres com condições como diabetes devem manter o controle da doença ainda antes da gravidez, garantindo uma gestação mais saudável e com menor risco para o bebê”, explica.




Entre os fatores de risco, estão alterações genéticas, infecções durante a gestação, uso de determinados medicamentos, consumo de álcool ou drogas, além de doenças maternas como diabetes. Para a médica, o pré-natal é essencial na prevenção e no acompanhamento. “Embora não possamos evitar todos os casos, medidas como manter o controle de doenças crônicas, evitar substâncias nocivas e realizar os exames recomendados reduzem bastante os riscos”, orienta.


Dr. Gabriel reforça que o grande objetivo do pré-natal é justamente detectar precocemente patologias e proporcionar um ciclo gestacional seguro para mãe e filho. “Os exames laboratoriais, os hábitos de vida saudáveis, o acompanhamento ultrassonográfico e os testes de triagem permitem diagnósticos oportunos e ajudam na escolha do melhor local de nascimento. Isso possibilita a articulação entre as equipes de obstetrícia e pediatria, assegurando desfechos mais positivos e seguros para a mãe e o bebê”, conclui.


O tratamento depende do tipo e da gravidade da cardiopatia. Alguns casos leves necessitam apenas de acompanhamento clínico, enquanto outros exigem medicamentos ou cirurgias corretivas, em alguns casos logo nas primeiras semanas de vida. “Os avanços da medicina, especialmente nas técnicas cirúrgicas e no cuidado intensivo neonatal, aumentaram muito a sobrevida e a qualidade de vida dessas crianças”, destaca a pediatra/cardiologista.


Sinais como dificuldade para mamar, ganho de peso insuficiente, suor excessivo, coloração azulada nos lábios ou nas extremidades, cansaço frequente e dificuldade respiratória merecem atenção especial dos pais. “Esses são alertas importantes que não devem ser ignorados. Ao perceber qualquer um deles, é fundamental procurar atendimento médico imediato”, orienta.


A especialista também ressalta os desafios emocionais e estruturais que as famílias enfrentam. “O diagnóstico traz medo e insegurança, e muitas vezes o acesso a serviços de alta complexidade é difícil. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar; envolvendo pediatra, cardiologista, psicólogo, nutricionista, entre outros, é essencial para o bem-estar da criança e da família.”




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