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José Bonifácio,15/04/2026

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Testosterona alta pode aumentar risco de trombose, infarto e AVC, alerta especialista


Testosterona alta pode aumentar risco de trombose, infarto e AVC, alerta especialista

Nos últimos tempos, um novo comportamento tem ganhado espaço nas redes sociais: homens exibindo exames de testosterona como símbolo de força, desempenho e superioridade. Números elevados passaram a ser tratados como conquista, quase como um troféu. Mas por trás dessa tendência, a Salut Consult faz um alerta importante: o que está sendo celebrado pode, na verdade, representar risco concreto à saúde.  




De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os níveis de testosterona em homens adultos devem permanecer dentro de uma faixa considerada normal, geralmente entre 300 e 1.000 ng/dL, com variações individuais. Valores acima desse intervalo não significam mais saúde, mais força ou melhor desempenho. Significam, muitas vezes, desequilíbrio hormonal.


A endocrinologista e psiquiatra Dra. Camila Venâncio, diretora da Salut Consult, explica que a testosterona, quando ultrapassa níveis fisiológicos, pode estimular um aumento excessivo da massa de glóbulos vermelhos no sangue. Em outras palavras, o sangue pode ficar mais espesso. E, quando isso acontece, cresce o risco de formação de coágulos. Se esse coágulo obstrui uma veia ou artéria, pode surgir uma trombose; se alcança a circulação do coração, pode desencadear um infarto; se compromete a circulação cerebral, pode provocar um AVC. Essa relação entre testosterona elevada, policitemia e trombose é o que torna a banalização do hormônio perigosa e preocupante. “O corpo humano funciona em equilíbrio e tudo que foge disso deixa de ser benefício e passa a ser risco”, alerta Dra. Camila.


Ela é enfática ao falar sobre o uso sem indicação: “Não existe ganho em ultrapassar o limite fisiológico. Existe risco. O organismo não foi projetado para extremos, e forçar esse sistema pode gerar consequências que muitas vezes aparecem tarde demais”, ressalta.


Além do aumento da viscosidade sanguínea, a médica destaca que o abuso hormonal pode se somar a outros fatores que elevam o risco cardiovascular, como alterações no colesterol, retenção de líquidos, elevação da pressão arterial e sobrecarga do sistema cardiovascular. Segundo Dra. Camila, esse processo nem sempre produz sintomas imediatos, o que torna o quadro ainda mais perigoso. “O problema é que muitas vezes o dano não aparece no primeiro mês, nem no primeiro exame. Ele vai sendo acumulado em silêncio. E quando se fala em trombose, infarto e AVC, estamos falando de situações potencialmente graves, incapacitantes e até fatais”, destaca ela.


A especialista chama atenção para outro erro comum: a leitura simplista de um exame laboratorial. Um número alto, isoladamente, não é sinônimo de vitalidade. Ao contrário: fora do contexto clínico, ele pode significar exposição desnecessária e complicações sérias. “Existe hoje uma exaltação do número alto, como se isso fosse automaticamente melhor. Não é, saúde mora no índice normal. Nem abaixo, nem acima. O equilíbrio hormonal é o que garante o bom funcionamento do organismo”, esclarece ela.


Dra. Camila reforça que a reposição hormonal, quando realmente necessária, precisa seguir critérios rigorosos. Antes de prescrever qualquer hormônio, é fundamental avaliar o paciente como um todo: sintomas, histórico clínico, doenças associadas, exames laboratoriais, estilo de vida, fatores de risco cardiovascular e necessidade real de intervenção. “A decisão médica precisa considerar o quadro completo. Hormônio não é suplemento, não é atalho e não pode ser conduzido pela lógica da internet. O que muita gente expõe como vitória nas redes pode ser, do ponto de vista médico, um sinal de alerta. Saúde não está no exagero. Está no funcionamento adequado do organismo, dentro de parâmetros seguros e com acompanhamento especializado”, enfatiza ela.


Em medicina, excesso não é mérito. É risco. E quando esse risco envolve a possibilidade de trombose, infarto e AVC, o assunto deixa de ser estética ou performance e passa a ser, de fato, uma questão de proteção à vida.  







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