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José Bonifácio,16/01/2026

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97 anos de força e fé: Nilza Salles Murad, a mulher que transformou desafios em legado


97 anos de força e fé: Nilza Salles Murad, a mulher que transformou desafios em legado

Em 4 de novembro de 1928, nascia em Olímpia uma menina que viria a personificar coragem, trabalho e amor incondicional pela família. Filha de Emydio e Maria Salles, Nilza Salles Murad era a única menina entre cinco irmãos, além de um menino que sua mãe criou, e desde cedo mostrou que estava destinada a trilhar um caminho de força e determinação.


Cresceu em meio à simplicidade do interior, em Vale Formoso, onde aprendeu o valor do esforço e da união. Anos depois, em 31 de dezembro de 1951, casou-se com Muaib Murad, companheiro com quem dividiria alegrias, lutas e uma história de superação digna de inspiração.


Dois anos mais tarde, em 9 de abril de 1953, nasceu o filho do casal, Milton Salles Murad. Pouco tempo depois, o destino colocaria à prova toda a força e fé de Dona Nilza: naquele mesmo ano, seu esposo, Muaib, contraiu poliomielite, doença que lhe causou paralisia permanente nos membros inferiores.


A nova realidade uniu ainda mais o casal. Nilza permaneceu firme ao lado do marido, cuidando dele com amor e dedicação, e os dois seguiram como verdadeiros parceiros de vida - ele, com seu talento nato para compra e venda de gado e ela, à frente das finanças e da administração. Em uma época em que as mulheres raramente tinham voz ativa, Dona Nilza se impôs pelo trabalho, pela inteligência e pela coragem. Juntos, superaram as dificuldades, criaram o filho e construíram uma história marcada pela união, fé e determinação.




O agronegócio se tornou seu alicerce. No sítio, ela também plantava, colhia, cozinhava para os peões, cuidava da casa e ainda encontrava tempo para estudar. No fim da década de 60, sua dedicação foi recompensada: conquistou o segundo lugar em um concurso público para professora efetiva do Estado. Assim começava uma das etapas mais bonitas de sua trajetória - a de educadora.



Durante 36 anos, a professora Nilza exerceu o magistério com maestria e amor. Lecionava pela manhã, à tarde e até à noite, em escolas de vilas e fazendas. “Adorava dar aulas”, conta ela com brilho nos olhos. A rotina era intensa, exigindo dedicação e longos deslocamentos, mas Nilza nunca se deixou abater. Com determinação e fé, seguiu firme em sua missão de educar, conquistando o respeito e o carinho de gerações de alunos — e tornando-se um exemplo de força e comprometimento com a educação.


Aposentou-se aos 72 anos, e, quando muitos escolheriam o descanso, ela voltou à roça. Em meio a uma crise financeira, com os negócios agrícolas da família não caminhando bem, novamente estava pronta para o que fosse preciso: voltou para a roça. Lider nata e batalhadora, Sra. Nilza cozinhava para os trabalhadores, ajudava no plantio de café, arroz e milho. “O trator passava riscando o chão, e eu ia jogando o milho”, relembra ela.


Entre colheitas e tempestades, Nilza acumulou histórias. Certa vez, secava arroz nas ruas de Ubarana e um temporal a surpreendeu. Todos correram para ajudá-la, gesto que simboliza bem o que sempre ofereceu ao mundo: solidariedade. Ao longo da vida, abriu as portas de casa e do coração para quem precisasse. Recebeu parentes e amigos em momentos difíceis, ofereceu terra no sítio para que pudessem plantar e recomeçar, e acolheu dois sobrinhos que vieram morar em José Bonifácio para estudar. Ficaram com ela por cerca de dez anos, e até hoje guardam o carinho e o exemplo daquela mulher de alma generosa.


Entre as pessoas que Nilza acolheu, uma delas se tornou especial: Lindaura, companheira de longa data e presença constante na vida da família. Ficaram juntas por muitos anos, até o falecimento de Lindaura em 2006. Nilza, com sua sensibilidade característica, fez questão de sepultá-la junto de sua mãe, um gesto simples, mas profundamente simbólico de amor e gratidão.



Vieram os netos, Guilherme e Fernanda, filhos de Milton e Mônica Guimarães - e com eles, uma nova razão para viver. Como avó, Nilza se completou. Já que, por motivos de saúde do marido, não pôde ter mais filhos, viu nos netos a continuidade do amor que sempre cultivou.



Mas a vida, que tantas vezes a testou, trouxe também sua dor mais profunda: em 1º de fevereiro de 2011, Sra. Nilza perdeu seu único filho Milton, engenheiro civil, vítima de um câncer. Foi um golpe devastador, uma ferida que o tempo não apaga. Ainda assim, encontrou forças para seguir com fé e resiliência. O sorriso voltou a seu rosto em 22 de fevereiro de 2011, com o nascimento da bisneta Lara, filha de Guilherme.




Em 24 de fevereiro de 2018, despediu-se também do companheiro de uma vida inteira. Muaib faleceu aos 96 anos, encerrando uma história de cumplicidade que resistiu a todas as tempestades.




Hoje, Sra. Nilza celebra a vida rodeada de carinho, gratidão e orgulho. Vê os frutos de seu esforço florescendo: Dr. Guilherme Murad, é dentista, e Dra. Fernanda, advogada, ambos atuam também no agronegócio, dando continuidade ao trabalho no sítio da família, com agropecuária e produção de cana-de-açúcar.




Os tempos mudaram, a vida se tornou mais tranquila, mas a querida dona Nilza continua a mesma: lúcida, sábia, simples e forte. Ela sabe que cumpriu sua missão com êxito e que seu legado está garantido nas gerações que ajudou a formar.




Com o olhar sereno de quem viveu e enfrentou todas as suas batalhas, dona Nilza é a prova viva de que nenhuma dificuldade é maior que a vontade de seguir em frente. Uma mulher que ergueu sua fortaleza com coragem, amor e fé - e que hoje, ao comemorar seus 97 anos, segue inspirando e iluminando a vida de todos que têm o privilégio de conhecê-la.





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