Os perigos do “exame de vista grátis” e a importância do médico oftalmologista

Nos últimos anos, multiplicaram-se as ofertas de “exames de vista gratuitos” em óticas e comércios. À primeira vista, parecem um benefício à população, mas escondem um grave risco à saúde ocular. Esses atendimentos não são realizados por médicos e, portanto, não constituem um exame oftalmológico. Trata-se apenas de uma avaliação superficial, voltada à venda de óculos, sem qualquer capacidade de diagnosticar doenças que ameaçam a visão.
Essa prática se assemelha à venda de bebidas adulteradas: o preço pode até parecer atraente, mas o que está por trás é perigoso. Assim como o consumo de álcool falsificado pode causar intoxicação e até a morte, o “exame gratuito” feito por quem não é médico pode mascarar doenças graves, levando à perda irreversível da visão. Condições como glaucoma, retinopatia diabética, degeneração macular e tumores oculares não apresentam sintomas iniciais e só são identificadas com equipamentos médicos adequados e formação especializada.
O verdadeiro exame oftalmológico, realizado por um médico oftalmologista, vai muito além da medição do grau: inclui avaliação do fundo de olho, pressão intraocular, retina, cristalino e córnea, além de investigar doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão.
De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o Brasil possui mais de 1,5 milhão de pessoas com deficiência visual grave ou cegueira, sendo que até 80% dos casos poderiam ser prevenidos ou tratados com diagnóstico precoce. Infelizmente, a ilusão do “exame grátis” contribui para o atraso no diagnóstico e para o aumento desses números alarmantes. É importante lembrar: o barato pode sair muito caro. Na tentativa de economizar alguns reais, o paciente pode pagar um preço altíssimo — a própria visão.
A visão não tem preço, e cegueira tem prevenção.
Dr. Diogo Garcia Neto
(CRM 104.822) - Oftalmologista








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