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José Bonifácio,16/01/2026

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Monaro: um pai modelo 59 com motor de infinito


Monaro: um pai modelo 59 com motor de infinito

Algumas histórias são como as grandes máquinas que ele tanto consertou: compostas por peças raras, movidas a esforço, guiadas com amor e calibradas pela fé. A de Luiz Antônio Monaro é uma dessas histórias. Feita de humildade, trabalho duro, ternura no olhar e sonhos que ultrapassam a vida.


Nascido em José Bonifácio, no dia 30 de dezembro de 1958, Luiz era filho de Antônio Monaro e Ana Bacini Monaro, porém como na época havia uma multa para registros realizados após o nascimento, o registro oficial ficou com data de  2 de janeiro de 1959. Com bom humor, ele mesmo costumava dizer:

“Sou de 58, modelo 59” — e quem o conheceu sabe: esse modelo foi único.


Segundo filho entre três irmãos — entre Terezinha, a mais velha, e Lourdes, a caçula —, ainda pequeno, seguiu com a família para São Paulo, onde o pai assumiu o cargo de segurança em uma empresa familiar. Mas a infância ganhou um golpe duro aos seis anos, com a morte repentina do pai, que os fez retornar às origens, à cidade natal.


Ali, a vida exigiu pressa. Como arrimo de família, Monaro cresceu carregando responsabilidades de gente grande. Trabalhou na fazenda e na bicicletaria do Sr. Miguel Rossi, e foi ali que aprendeu a lidar com ferramentas e com gente — duas paixões que o acompanhariam para sempre.


Foi dispensado do serviço militar por não poder deixar a mãe e as irmãs. Mas, em vez de farda, vestiu com orgulho a camisa do trabalhador honesto e incansável. Monaro acelerou com coragem: abriu sua primeira oficina de motos em sociedade com Mário Lúcio Crestani, e mais tarde, iniciou um novo negócio com seu cunhado Hamilton Pompeo.



Aos 24 anos, encontrou o grande amor de sua vida: Aldacira Magali Pompeo Monaro, com quem viveu 29 anos de casamento. A união trouxe dois filhos: Eduardo (1986) e Júnior (1989). E foi por eles que Monaro moveu montanhas.



Em sua casa, o dinheiro era contado, mas o amor era abundante. Não havia luxo, mas havia muito amor e diversão. Não sobrava, mas nunca faltava - se apertava, juntava moedas e forças, mas fazia a alegria dos seus meninos. Patins, bicicletas, Lego, carinho, conselhos, afeto — o que ele não podia dar com a carteira, dava com o coração.



Cada conquista dos filhos era como se fosse dele. Seu maior sonho? Ver Eduardo e Júnior formados, casados, e conhecer os netos. O primeiro sonho ele viu acontecer: ambos se formaram em Administração. O tempo passou e a família aumentou, tornando os outros sonhos, também realidade. Eduardo se casou com Edna, com quem teve os encantadores Jonas e Maria Eduarda. Júnior formou uma linda família com Viviane, e os dois tiveram Valentina e o pequeno Luigi. Mas Monaro não pôde presenciar os netos crescerem — um dos raros desejos que não pôde realizar.



Em 2004, aos 45 anos, começou a se sentir mal. Passou por exames, especialistas, tratamentos, esperas… Até receber o diagnóstico: mielofibrose, uma doença hematológica rara, que à época não tinha tratamento disponível no Brasil — nem no mundo. Veio, então, a luta mais dura de sua história.


Após três anos de sofrimento, surgiu uma chance: um medicamento experimental dos EUA. A esperança ganhou forma — e também burocracia. O remédio ficou preso na alfândega por seis meses. Quando, enfim, foi liberado, já era tarde. Monaro usou-o por apenas um mês. No dia 11 de agosto de 2012, um sábado — véspera do Dia dos Pais —, Luiz Antônio Monaro partiu com apenas 53 anos.


Durante dez anos, o Dia dos Pais foi coberto de silêncio na casa da família. A data do adeus transformou a alegria em saudade. Mas em 2022, uma nova ironia do destino transformou novamente a dor: nasceu Luigi, o caçula dos netos. No mesmo dia da partida do avô.


A data passou a ser luz de novo.


Hoje, Monaro vive nos olhos dos netos, na firmeza dos filhos, na lembrança de quem o conheceu. Um pai que viveu pela família. Um homem que, com tão pouco, entregou tudo.

E que deixou um legado de amor, honra e força — gravado para sempre na memória de quem o conheceu.





Luiz Antonio Monaro foi na verdade um modelo raríssimo… foi mais que um 58, modelo 59… foi uma edição limitada. Uma alma grande demais para caber em datas ou diagnósticos.






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