Mateus: Na Roda da Vida, o Mestre Nunca Sai
Em cada roda de capoeira que se forma, em cada berimbau que ecoa, há algo mais do que som e movimento. Há uma herança invisível que permanece viva — a de Aparecido Mateus de Oliveira, o vigilante de alma generosa, o contra-mestre apaixonado, o amigo de todos, e o pai que o mundo conheceu muito além dos laços de sangue.

Mateus nasceu em uma família muito humilde, em 24 de agosto de 1965, no município de Mendonça. Desde criança demonstrou uma força rara, brilho nos olhos e uma fé que o acompanharia até seus últimos dias. Aos 21 anos, em 1986, mudou-se para José Bonifácio, em busca de trabalho. Foi ali que começou sua história como vigilante do Banco do Brasil, profissão que exerceu com seriedade e respeito por longos anos, até 2005, ano em que partiu — deixando um vazio imenso e uma memória impossível de apagar.

Desde a adolescência, carregava dentro de si uma paixão transformadora: a capoeira. Não como esporte apenas, mas como missão de vida. Ao se tornar contra-mestre, decidiu compartilhar deu dom, oferecendo aulas voluntárias. Foram centenas de crianças e jovens da cidade e região que aprenderam a arte da capoeira com o mestre Mateus. Muitos deles vinham de famílias carentes, com poucas oportunidades e muitos riscos ao redor. Foi ali que Mateus se tornou pai de muitos, mestre no sentido mais completo da palavra: aquele que acolhe, ensina e inspira.

Cada aula era mais do que movimento. Era um gesto de amor, um empurrão gentil para fora do caminho da vulnerabilidade. Com um sorriso no rosto, frases de incentivo e a sabedoria dos simples, ele transformava vidas. Era exemplo para os meninos e meninas que nele viam não só um instrutor, mas um exemplo.

Ao lado da esposa, Regina Beratta, com quem se casou em 5 de maio de 1990, teve sua filha única e grande amor, Beatriz, hoje com 30 anos. Criou-a com fé, dentro da Igreja, ensinando valores que não passam com o tempo: caráter, respeito, gratidão. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, Mateus acreditava profundamente no poder da oração, da presença divina no cotidiano. E era esse espírito que guiava seus passos.


Também foi craque do José Bonifácio Esporte Clube, e apaixonado pelo seu verdão, o Palmeiras. Além da vida esportiva e religiosa, Mateus também teve seu lado empreendedor. Junto com seu amigo Sukita, abriu uma empresa de segurança que foi responsável pela segurança de inúmeros eventos e festas da cidade. Mas, acima de qualquer função que exercesse, Mateus era conhecido por algo ainda maior: sua habilidade de colecionar amigos, de ouvir com atenção, aconselhar com carinho e nunca negar ajuda a quem o procurasse.

Infelizmente, uma tragédia em 23 de setembro de 2005 interrompeu bruscamente essa história. Ele partiu deixando sua família e uma cidade inteira em estado de luto. José Bonifácio e Mendonça choraram juntas. Mas mesmo na ausência, Mateus permanece presente.

Beatriz, sua filha, cresceu com o orgulho de ser filha de um homem que marcou gerações. E ao ter seu primogênito, prestou a ele uma homenagem: deu-lhe o nome do avô — Mateus. O pequeno, no entanto, também partiu cedo, foi ao encontro do avô. Os dois Mateus estão juntos, agora, do céu, cuidando da família que deixaram aqui.

Veio então a encantadora Maria Alice, hoje com dois aninhos, linda, falante e cheia de luz. Ela costuma dizer que o vovô Mateus desce do céu batendo asas, ao lado da Mamãe do Céu, só para brincar com ela.
A gente acredita!

Porque homens como Mateus não vão embora. Eles plantam raízes profundas nos corações que tocaram, e continuam vivendo em gestos, memórias e sorrisos. No mês em que celebramos a figura paterna, vale lembrar: ser pai não é apenas gerar. É cuidar, guiar, ensinar, doar-se. E isso, Mateus fez. Foi um mestre. Um exemplo. Um pai de sangue e de alma.









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