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José Bonifácio,02/11/2026

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Cemitério Municipal guarda quase 90 anos de histórias


Cemitério Municipal guarda quase 90 anos de histórias

No Dia de Finados, histórias de afeto se misturam a nove décadas de memória; enquanto famílias cuidam dos túmulos de quem amam, furtos recorrentes têm provocado indignação


Entre lápides, cruzes, fotografias e flores, repousa uma parte importante da história de José Bonifácio. Mais do que um lugar de despedidas, o Cemitério Municipal São João Batista tornou-se, ao longo de quase nove décadas, um verdadeiro arquivo a céu aberto, onde a trajetória da cidade também pode ser contada pelos nomes e histórias daqueles que ali descansam.




Inaugurado em 8 de agosto de 1938, o cemitério substituiu o antigo espaço localizado próximo à Santa Casa de Misericórdia, desativado no final da década de 1930. Na época, muitas famílias adquiriram terrenos ou carneiras no novo local e transferiram os restos mortais de seus entes queridos. Para aqueles que não foram transferidos, foi construído um ossário.




Hoje, o local reúne cerca de 18 mil sepulturas, entre terrenos com covas rasas, carneiras simples e duplas, carneiras perpétuas menores, destinadas às crianças, e jazigos. José Bonifácio também possui duas criptas na Igreja Matriz e o cemitério do povoado de Santa Luzia, com aproximadamente 120 túmulos.





Caminhar pelo cemitério é também revisitar as origens da cidade. Ali estão famílias tradicionais, pessoas que participaram da construção de José Bonifácio e milhares de moradores que deixaram suas próprias histórias. Esculturas antigas, inscrições em mármore e diferentes estilos de túmulos ajudam a revelar a passagem do tempo.




O carinho de quem continua cuidando


No Dia de Finados, essa relação com a memória se torna ainda mais evidente, famílias limpam túmulos, levam flores, fazem orações e homenageiam aqueles que partiram.




As irmãs Vendineia Monteiro Pedroso e Solidelia Monteiro de Souza frequentam o cemitério para cuidar dos túmulos dos pais e da irmã. Mas o carinho não se limita à própria família, espontaneamente, elas também cuidam das sepulturas de pessoas que conheceram e que, de alguma forma, fizeram parte de suas vidas. Um gesto carregado de significado.




“Todo mundo que está aqui foi especial para alguém. É uma forma de demonstrar carinho por quem já foi. Nossa certeza é que um dia nos encontraremos lá no céu”, destacam as irmãs.


Entre flores, orações e lembranças, cada túmulo guarda uma história. Juntos, eles formam uma espécie de biografia silenciosa de José Bonifácio.




Furtos revoltam quem frequenta o cemitério


Em contraste com as demonstrações de carinho, os furtos registrados no cemitério têm causado indignação.


Durante a reportagem, diversas pessoas relataram o desaparecimento de objetos dos túmulos. Uma pessoa, que pediu para não ser identificada e relata frequentar o local há cerca de 20 anos, contou que a situação teria se agravado nos últimos quatro meses. Segundo ela, já foram levados puxadores, imagens religiosas, detalhes ornamentais e até portas de alumínio. “Nos últimos meses isso tem acontecido com muita frequência. Há ruas em que levaram os puxadores de praticamente todos os túmulos. Quebram mármores das sepulturas, arrancam as portinhas… É uma judiação”, lamenta ela.


(A identidade do entrevistado é preservada conforme o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.)


Júlio César Inácio de Lima, que vai ao cemitério semanalmente para cuidar de sepulturas, entre elas a da avó, afirma que até flores artificiais são levadas. “A imagem de Cristo que colocamos no túmulo já foi furtada três vezes, estão levando até flores artificiais. A situação está muito difícil e esperamos que sejam tomadas providências para que possamos voltar a ter tranquilidade e não sofrer mais prejuízos”, relata Júlio.




O problema ganhou contornos ainda mais concretos recentemente. No último dia 26, a Polícia Militar localizou dezenas de peças metálicas e molduras que teriam sido furtadas de túmulos do cemitério de José Bonifácio. Os objetos, de alumínio e bronze, estavam escondidos entre materiais recicláveis em uma residência. Um homem foi conduzido ao plantão policial e a ocorrência foi registrada como receptação. O material foi apreendido e o caso encaminhado para investigação.







Além do prejuízo financeiro, os furtos atingem objetos carregados de valor afetivo. Uma imagem, uma flor ou um detalhe colocado sobre uma sepultura pode representar a lembrança de alguém que continua sendo amado.




Neste Dia de Finados, entre saudades e reencontros, o cemitério volta a lembrar que parte da história de José Bonifácio também está ali: nos nomes gravados em pedra e, principalmente, na memória daqueles que continuam voltando para cuidar de quem partiu.






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