Setembro Amarelo: cuidar da saúde mental antes que o sofrimento chegue ao limite
Existe uma pergunta importante por trás do Setembro Amarelo: por que tantas pessoas ainda esperam o sofrimento se tornar insuportável para procurar ajuda?
Quando o assunto é saúde física, uma dor persistente, uma alteração nos exames ou um sintoma que não desaparece costuma despertar preocupação. Com a saúde mental, porém, ainda é comum tentar suportar. A pessoa perde o sono, a disposição, o interesse pelas coisas, começa a se isolar, enfrenta ansiedade intensa ou uma tristeza que não passa e, muitas vezes, continua dizendo a si mesma que precisa apenas “ser forte”.
É justamente essa cultura que precisa mudar.
O Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção ao suicídio, chama atenção para situações extremas, mas também abre uma discussão maior: o sofrimento emocional precisa ser reconhecido e tratado antes de chegar a uma crise.
Na Salut Consult, a saúde mental é uma das importantes áreas de atuação. Para a diretora Dra. Camila Venâncio, que é médica psiquiatra e endocrinologista, procurar um psiquiatra não deve ser encarado como último recurso. “O psiquiatra não deveria ser procurado somente quando a pessoa já não consegue mais suportar o que está sentindo. Mudanças persistentes no sono, no humor, no comportamento, na capacidade de trabalhar, estudar ou se relacionar já podem justificar uma avaliação. Na saúde mental, reconhecer precocemente que algo não vai bem pode mudar completamente o caminho daquele paciente”, destaca ela.
Ainda existem muitos equívocos em torno da consulta psiquiátrica. Um deles é imaginar que procurar um psiquiatra significa necessariamente receber uma medicação.
A consulta começa, antes de tudo, por uma avaliação médica cuidadosa. É preciso compreender o que a pessoa sente, há quanto tempo, como esses sintomas interferem em sua vida, seu histórico de saúde, sono, rotina, uso de medicamentos ou outras substâncias e a existência de condições clínicas que também possam contribuir para determinados sintomas. Somente depois dessa análise é possível definir a melhor conduta para cada caso.
Dra. Camila ressalta que acompanhamento é uma palavra fundamental na psiquiatria. “Uma consulta pode iniciar um tratamento, mas é o acompanhamento que nos permite observar a evolução. Saúde mental não se trata com fórmulas prontas. O paciente muda, os sintomas podem mudar e a resposta ao tratamento também precisa ser avaliada. Nosso compromisso não é apenas reduzir sintomas; é ajudar aquela pessoa a recuperar autonomia e qualidade de vida”, explica Dra. Camila.
Essa perspectiva também ajuda a combater outro problema: a interrupção ou alteração de medicamentos por conta própria. Decisões sobre tratamento psiquiátrico devem ser discutidas com o profissional responsável.

Quando o sofrimento começa a ocupar espaço demais
Nem toda tristeza significa depressão. Nem toda preocupação caracteriza um transtorno de ansiedade. As emoções fazem parte da experiência humana, o sinal de atenção aparece quando determinadas alterações persistem, tornam-se intensas ou começam a comprometer a vida.
Perda de interesse pelo que antes dava prazer, isolamento, mudanças importantes no sono ou apetite, irritabilidade acentuada, ansiedade intensa, queda importante no rendimento e dificuldade para realizar atividades habituais são exemplos de situações que merecem atenção profissional.
Pensamentos recorrentes sobre morte, desejo de desaparecer ou ideias de suicídio exigem ainda mais cuidado e não devem ser minimizados nem enfrentados sem ajuda. Para Dra. Camila, uma das mensagens mais importantes da campanha Setembro Amarelo está justamente em não estabelecer uma espécie de “medida mínima” para que alguém tenha direito a procurar atendimento. “A pessoa não precisa provar que está sofrendo o suficiente para merecer ajuda. Se aquilo está modificando sua vida, já é importante ser ouvido e avaliado. Esperar piorar não torna ninguém mais forte; apenas pode tornar o caminho de volta mais difícil”, alerta Dra. Camila.
Setembro Amarelo: números que pedem atenção
Mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde. O número reforça a importância do Setembro Amarelo e, principalmente, da construção de uma cultura em que falar sobre sofrimento e procurar ajuda seja cada vez mais natural.
Para a psicóloga e diretora da Salut Consult, Dra. Bruna Venâncio, a estatística precisa ser enxergada além dos números. “Quando falamos em mais de 720 mil mortes por ano, não estamos falando apenas de uma estatística, estamos falando de pessoas, histórias, vínculos e de muitas outras vidas profundamente afetadas por cada perda. Esses números mostram por que saúde mental precisa ser tratada com seriedade e por que aprender a perceber, acolher e encaminhar alguém em sofrimento também é uma responsabilidade coletiva”, enfatiza ela.
Dra. Bruna destaca ainda que o Setembro Amarelo não deve restringir a discussão apenas ao momento de crise. A campanha também é uma oportunidade para combater preconceitos e tornar mais natural a ajuda profissional “Precisamos construir uma sociedade em que alguém possa dizer ‘eu não estou bem’ sem medo de ser julgado. Quanto mais naturalizamos a busca por ajuda profissional, maiores são as possibilidades de o cuidado chegar antes que o sofrimento se torne insuportável”, ressalta.
É justamente essa cultura de cuidado que a Salut Consult fortalece durante todo o ano: falar sobre saúde mental com responsabilidade, oferecer acompanhamento profissional e lembrar que sofrimento emocional merece atenção e tratamento quando necessário.










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