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José Bonifácio,07/02/2026

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Entre a vida e o recomeço: a história do jovem médico Heitor


Entre a vida e o recomeço: a história do jovem médico Heitor

Um episódio inesperado transformou segundos em eternidade e virou uma corrida contra o tempo. No fim da tarde de 19 de abril de 2025, o jovem médico Dr. Heitor Nascimento Hackme, 24 anos, sofreu um grave acidente de jet ski e teve sua vida colocada em risco de forma abrupta. A partir daquele instante, o que se seguiu foi uma batalha entre a fragilidade humana, a força da medicina e uma fé que jamais vacilou. Dr. Heitor, filho de Camila Bigatão Nascimento e Flávio Mano Hackme, teve sua vida suspensa por um fio - um fio que foi sustentado por ciência, fé e uma rede de amor inabalável.




Diagnosticado com politraumatismo com TCE, TRM e Lesão Axional Difusa, Heitor passou 55 dias hospitalizado, sendo 40 deles na UTI. Foram 25 dias no Hospital de Base de São José do Rio Preto, em coma induzido, período em que permaneceu 18 dias internado e foi submetido a uma cirurgia de artrodese occipito-cervical. Em seguida, veio a transferência para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde passou por um procedimento para limpeza da ferida cirúrgica e drenagem de abscesso subcutâneo, permanecendo ali por mais 30 dias.


O que impressiona, porém, não é apenas a gravidade do quadro clínico, mas a forma como Heitor atravessou esse período, mesmo sem se lembrar dele. “Acordei ainda sem consciência, só depois que meus pais me contaram e explicaram o motivo de eu estar hospitalizado. Fiquei assustado, mas ainda não entendia a gravidade da minha real situação”, relembra ele.


Antes do acidente, a rotina era intensa. Recém formado, Heitor conciliava trabalho e estudos com disciplina. “Eu estava trabalhando quatro dias na semana, sendo dois em Nova Granada, dois dias em José Bonifácio e estudando nas horas vagas”, conta ele.




Quando, aos poucos, foi tomando consciência da dimensão do que havia enfrentado, algo chamou profundamente sua atenção e o emocionou. “O que mais me impressionou foi a rapidez da minha recuperação. Em alguns momentos, ouvi de médicos que o processo, especialmente em relação à memória, poderia levar anos. No entanto, em menos de três meses isso foi sendo retomado de forma surpreendente. Para mim, isso é a maior prova de que Deus esteve comigo em cada instante, conduzindo todo o processo e sustentando a minha recuperação”, ressalta Dr. Heitor.


Entre tantos momentos marcantes, um em especial ficou gravado em sua memória. “Nunca irei me esquecer do momento em que pude ‘caminhar’ novamente com auxílio de um equipamento médico chamado Sara, um aparelho para erguer o paciente, auxiliá-lo a ficar em pé, também indicado para deambulação”, lembra ele.




Para alguém que escolheu a medicina como missão, estar do outro lado do leito foi um aprendizado profundo e transformador. “Não foi fácil estar do outro lado. Como médico, sempre estive acostumado a cuidar, a decidir, e de repente me vi totalmente dependente, frágil, vulnerável, lutando pela minha própria vida. Viver isso como paciente crítico me ensinou o peso do medo, da dor e da esperança. Hoje, eu enxergo a medicina com outros olhos: mais empatia, mais sensibilidade e ainda mais respeito pela vida que nos é confiada. Sou imensamente grato a toda a equipe médica e multiprofissional do Hospital de Base de Rio Preto e do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, que esteve comigo nesse período. Cada cuidado, cada decisão e cada gesto fizeram diferença e jamais serão esquecidos”, destaca Dr. Heitor.


A recuperação, no entanto, não foi simples. Heitor conta que o maior desafio físico foi a mobilidade. “Ter movimentos limitados e precisar reaprender coisas básicas como sentar, levantar e andar exigiu muita paciência e perseverança”, ressalta ele.


No campo emocional, o enfrentamento foi igualmente intenso. “Foi um grande desafio de aceitação. Aceitar a fragilidade, entender que eu estava dependente de outras pessoas para tarefas simples e lidar com essa perda temporária de autonomia não foi fácil”, reflete.


Durante todo esse tempo, a fé se tornou um verdadeiro alicerce, mesmo quando Heitor ainda não podia perceber a dimensão dessa corrente. Em meio à angústia e à espera, a família buscou forças e pediu a intercessão do venerável Monsenhor Ângelo Angioni. Entre orações, promessas e confiança inabalável, a fé se entrelaçou à medicina e sustentou cada dia desse delicado momento. “Ouvir deles como foram os primeiros dias, até o momento em que eu realmente acordei, sempre me emociona. Foram dias marcados por muita incerteza, medo e espera. Mesmo assim, minha família, meus amigos e muitas pessoas que nem conheço pessoalmente, não desistiram de mim. Eles rezaram incansavelmente, se apoiaram na fé e acreditaram quando tudo parecia frágil. Agradeço imensamente a todos que torceram e pediram a Deus pela minha vida”, relata ele.


Essa vivência fortaleceu e aprofundou sua fé. “Tudo que vivi mudou profundamente a forma como eu enxergo a espiritualidade. Me sinto mais próximo de Deus e consigo ver, com muita clareza, como Ele cuidou de cada detalhe durante todo esse processo. Sou grato todos os dias por Ele ter me devolvido à vida, sem nenhuma sequela, e por ter me sustentado através da fé de todos que estiveram ao meu lado.”





O impacto do acidente reverberou para além da recuperação física. “Depois do acidente, passei a enxergar a vida com outros olhos. Hoje, dou muito mais valor aos momentos, às pessoas e às pequenas coisas do dia a dia que antes passavam despercebidas. A vida ganhou outro sentido, mais presença, mais gratidão e mais consciência do que realmente importa”, destaca Dr. Heitor.


Atualmente, Heitor segue retomando sua rotina com serenidade fé e disciplina. “Hoje levo uma vida praticamente normal, muito parecida com a que eu tinha antes do acidente. Ainda sigo em processo de recuperação, com acompanhamento de fisioterapia, que me auxilia principalmente na questão da mobilidade, e com a neuropsicóloga, que tem sido fundamental no preparo emocional e cognitivo para o meu retorno ao trabalho”, conta ele.


Ao olhar para trás, para um período que ele próprio não consegue lembrar, Heitor deixa uma mensagem que carrega o peso da experiência e a leveza da esperança: “Mesmo nos momentos mais críticos e inesperados, não desistam. A dor, o medo e a incerteza existem, mas eles não definem o fim da história. Tenham fé, se permitam ser cuidados e aceitem ajuda. Um dia de cada vez, com paciência e esperança. Confiem em Deus, confiem no processo e nunca subestimem a força que existe dentro de vocês”.


A história de Heitor Nascimento Hackme é mais do que um relato de sobrevivência. É um testemunho de fé, ciência, amor e renascimento. Uma lembrança de que, com fé e resiliência, mesmo os momentos mais sombrios podem se transformar em recomeços, e que a vida, quando devolvida, passa a ser vivida com ainda mais sentido.






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